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Catedral de Santo Antônio

Artigos › 31/03/2021

ARTE SACRA – A DISPUTA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

Na 5ª feira da Semana Santa, toda a Igreja faz memória da instituição da Eucaristia por Jesus Cristo na última Ceia, em que Ele tomando o pão, deu graças e deu aos seus discípulos, este é o meu corpo, e em seguida pegou o cálice e disse a todos, este é o meu sangue da nova aliança, que será derramado por muitos. (Cf Mc 14, 22-24).

A eucaristia é algo imensurável para a Igreja e muitos foram aqueles que se debruçaram sobre esse tema: Santos, teólogos, sacerdotes, bispos e papas, que muito já escreveram sobre o Mistério Eucarístico. Não foram poucos os artistas que já retrataram visando eternizar a Santa Ceia, como a mais famosa pintada por Leonardo da Vinci de 1495-1498.

Mas Rafael Sanzio pintou algo diferente, um magnífico afresco que se encontra em uma das salas do Vaticano, em uma das paredes da “Stanza dela Segnatura”, em frente ao afresco “A Escola de Atenas”, trabalhos que foram realizados por solicitação do papa Júlio II, que se chama “A disputa do Santíssimo Sacramento” e que muitos o chamam também de “O triunfo da Eucaristia”, e é sobre essa obra que vamos comentar.

“A disputa do Santíssimo Sacramento” representa a glorificação da sagrada Eucaristia. O artista contava apenas com 25 anos quando executou este quadro de fama mundial.

Haverá poucos cristãos que não conheçam esta obra insigne, pelo menos em reprodução. O título na verdade, não condiz com o afresco, porque nele ninguém disputa. Só aparece o céu e a terra para prestar homenagem a Sagrada Hóstia que está no centro da obra.

Santo Ambrósio, Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, São Boaventura, o papa Xisto IV, Dante e tantos outros representados pelo artista, todos cantam louvores a Cristo Jesus presente na custódia.

O afresco que conta com mais de 500 anos e acusa a passagem do tempo, pois já estão desvanecidos os rostos de alguns anjos e santos, ao mesmo tempo demonstra que nunca se desvanecerá a fé viva, emocionante que o quadro simboliza.

Ainda hoje, esta fé continua a viver no meio de nós com o seu brilho original. Não se apagou e nunca se apagará na Igreja a adoração humilde, o louvor e a homenagem profunda a Sagrada Eucaristia que já conta uma história de 2000 anos.

Esta adoração é geralmente feita em silêncio dentro das paredes dos nossos templos; é feita pelos fiéis que vão comungar rezar aos pés do Santíssimo. A luz bruxuleante de uma pequena lâmpada, lembra o ritmo do coração a palpitar incessantemente, e indica o caminho para Cristo escondido, vivendo no meio de nós.

Algumas vezes o nosso ardente amor não se contenta com esta homenagem silenciosa da oração. E a Igreja sente a necessidade de tomar o precioso tesouro que se encontra no altar e sair do silêncio do recinto sagrado, para fora, para o movimento da vida cotidiana, para o meio do barulho das ruas e avenidas, a seguir em procissão cercada por fiéis, ou até mesmo em uma singela carreata em tempos de pandemia, e que nem por isso perde o brilho da sua beleza, que é acompanhada pelos fiéis de joelhos nas calçadas, como dizendo: Senhor eu estou aqui para te louvar.

Assim como é necessário de vez em quando, renovar o colorido do afresco para não se apagar, também para a nossa fé no Santíssimo Sacramento não esmorecer, mas conservar-se sempre fresco e viva, importa renová-la com o entusiasmo de uma manifestação pública, real, viva e festiva, e nesta Semana tão Santa, o Senhor brilha e continuará a brilhar no Altar e em nossos corações.

É por este motivo que em ocasiões especiais organiza-se a procissão do corpo de Deus presente no Santíssimo Sacramento, ainda que seja apenas transportada em um pequeno veículo diante da impossibilidade do acompanhamento dos fiéis nestes tempos tão difíceis, mas nem por isso se retira a importância de percorrer os bairros da cidade como que Cristo pudesse se mostrar estou aqui, estou presente estou no meio de vós.

Este lindo afresco eternizado por Rafael Sanzio, nos mostra em uma belíssima imagem que graças e louvores são dados a todo o momento, no céu e na terra, ao Santíssimo Sacramento.

Retornando ao afresco, podemos dizer que o mural pode ser visto como um retrato da Igreja atuante abaixo, e da Igreja triunfante acima.

A Hóstia Consagrada é mostrada no centro do altar e centralizada na pintura e, ao lado, filósofos escolásticos discutem seu significado, enquanto a Santíssima Trindade, santos e anjos flutuam nas nuvens acima.

As figuras representando a Igreja triunfante e a Igreja atuante, retratados em dois semicírculos, um sobre o outro, adoram o Santíssimo Sacramento.

Acima, Cristo ressuscitado está sentado sobre o trono de nuvens entre a Virgem Maria, curvada em forma de adoração, e João Batista que, de acordo com a tradição iconográfica, aponta para Cristo e, várias figuras bíblicas do Antigo e Novo Testamento, como Adão, Moisés e Jacó. Estes estão sentados ao redor do grupo central sobre um banco semicircular de nuvens parecido ao que constitui o trono de Cristo.

Deus Pai fica acima de Jesus, representado o reinando sobre a luz dourada do céu, banhado da glória celestial, e abençoa o grupo de personagens bíblicos e eclesiásticos no topo da composição.

Ao fundo, inserida na vasta paisagem dominado pelo altar e o sacrifício eucarístico, estão os santos, papas, bispos, sacerdotes e o coro dos devotos. Eles representam a Igreja Atuante, e que continuará a atuar no mundo, e que contemplam a glória da Trindade com os olhos da alma.

Por Ariovaldo Lunardi

 

 

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