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Catedral de Santo Antônio

A Voz do Pastor › 18/06/2020

Recomendo o Artigo do Bispo publicado no BIO desse mês

Estive juntando as letras para  escrever esta página do BIO  na semana de Corpus Christi. Estava, com isso, pensando em refletir sobre a comunhão, na  nossa Igreja, a partir do rumo que  as nossas vidas tomaram com esse longo tempo de isolamento,  distanciamento, ou hibernação, como queiram, com as igrejas fechadas, sem poder participar da Santa Missa.

E pensando como  poderíamos celebrar a Solenidade de Corpus Christi privados da eucaristia. Por coincidência era  também a semana do Padroeiro, Santo Antônio, e tive a alegria de celebrar todos os dias da Trezena em nossa Igreja Catedral, coisa que sonhava em fazer há anos, treze dias com Santo Antônio. E  foi uma experiência muito rica,  para lá de triste, pela Catedral vazia, porém, rica de participação nas redes, com muitos comentários, abraços virtuais, esperanças.

Agora já passaram estas festas,  e olhamos para os próximos dias que serão de abertura gradual  das atividades nas nossas cidades, nos ambientes de trabalho,  as ruas e os shoppings de novo  movimentados, a minha atenção  de pastor se volta para este novo  momento: do retorno ao “normal”, não tão normal, previsto  para os próximos dias.

Verdade é que em termos da pandemia não há o que comemorar. Os números só crescem, a  doença atinge pessoas ao nosso redor, estamos chegando a um milhão de infectados e as projeções indicam que essa média de  óbitos por dia está longe de diminuir. O espetáculo triste que damos ao mundo inteiro, pela irresponsabilidade  diante da doença,  pela politização cega e a ignorância  dos dados da ciência, nos  envergonham perante o mundo.

Além de perder mais vidas, atrasará também o retorno da economia e dos empregos pela falta  de confiança dos investidores estrangeiros. Certo, que nem tudo  é culpa do nosso país: Quando os  Estados Unidos fecham as fronteiras para os brasileiros e criticam o descuido pelos doentes,
não se lembram das toneladas de equipamentos e recursos clínicos  que desviaram dos países pobres para atender os seus doentes. A  velha Europa, já em fase adiantada de abertura, assim como os  países do Hemisfério Norte, mais  privilegiados, vão reorganizando  os seus mercados, de modo que podemos esperar tranquilamente,que os países mais abastados  aproveitarão a crise para crescer, os mais pobres, e os pobres dos
países pobres, continuarão mais jogados na miséria.

O quadro, portanto, não é animador. Mas o comércio exaurido,  precisa respirar, mesmo contra a  opinião dos infectologistas, precisam  retomar as atividades. Os mortos estão mais para a faixa  dos aposentados e, portanto, o mercado, mais forte que a lógica sanitária, força os governantes: é preciso abrir, é preciso trabalhar, e os pobres sobretudo dizem: a ajuda emergencial que era pouca, vai se acabar e precisamos ter recursos para comer.

Nesse clima seguimos alimentados pela esperança de que, se não houver um retorno alarmante de contágio e de óbitos, começaremos a sair.
E as Igrejas católicas, como estão depois desses meses de espera e esperança? A bem da verdade, desde o início da pandemia, nossa Igreja já espelhava no que houve com a Itália, nossa sede eclesial, e sempre foi constante na afirmação de que era necessário proteger a vida em  risco, antes de tudo. Foi doloroso fechar as portas ainda antes da Semana Santa, foi trabalhoso lidar com as redes sociais, com a internet sobrecarregada, com as contas em perigo, com a ansiedade de atender ao povo. O zelo pastoral dos sacerdotes e lideranças leigas encontrou caminhos para manter contatos, garantir o funcionamento mínimo,a assistência aos mais pobres,o atendimento emergencial. Os padres aprenderam a manter contato entre sí e com o povo nas videoconferências. Nós Bispos, também nos encontramos em diversos momentos, em vídeo conferência.

Os seminaristas continuaram os estudos em casa, ligados à universidade pelo ensino à distância, mas todos esperam o momento de voltar a celebrar, reunir, comungar. Durante este tempo mantive com os padres uma sequência de mensagens com recomendações, em comunhão com as demais dioceses da nossa região e consoantes às normas emanadas pelo governo estadual e municipal.

Agora, porém, junto com a abertura do comércio, as prefeituras, em sua atribuição de normatizar o retorno, colocaram a possibilidade de as Igrejas e geral voltarem a ter cultos e celebrações, porém com severas  restrições de número de participantes e normas rígidas de higiene. E a minha recomendação, depois de ouvir os bispos e diversos padres, foi a de retornar ao atendimento, primeiro, só das secretarias paroquiais, porém, sem retornar ainda às celebrações com a presença de fiéis. O motivo dessa recomendação é claro: o momento de relaxar os cuidados não chegou ainda. Teríamos capacidade de nos manter dentro dos limites estabelecidos? Olhando os shoppings, as filas dos bancos, o trânsito, os movimentos de rua, a ansiedade de muitos fiéis, posso garantir que também nas igrejas também não será difícil manter o povo no limite. Por isso, vamos devagar, e juntos. A prudência nos aconselha a não ter essa pressa nesta hora. Até porque, em muitos lugares, depois dos decretos de abertura vieram os números alarmantes, as ordens jurídicas, os decretos de novo fechamento, especialmente quanto às igrejas.

Então, o mais prudente é esperar um pouco mais. Embora algumas das nossas igrejas não tenham seguido essa orientação, a maioria entende que precisamos agir juntos, no momento adequado, que chegará com normas comuns e cuidados sérios, para todos. Fiéis, cá e lá, se reuniram para rezar, pedindo pelo fim da pandemia. E demonstrando o desejo de voltar a participar das missas na Igreja. Desejo louvável, que será atendido quando as circunstâncias forem menos desfavoráveis. Dando título a este texto de “O corpo de Cristo, Amém!” eu quis fazer lembrar que somos um corpo, a Igreja, e a Igreja particular (a diocese) é uma porção desse corpo que age com articulada comunhão. Temos claro que a pandemia atingiu nossos bens mais preciosos: vidas, encontros comunitários, abraços, relações fraternas, e a própria comunhão eucarística que as transmissões ao vivo não substituem.

Porém, mesmo que voltemos aos poucos, ficando em bancos alternados, em lugares pré-marcados, de bocas tapadas com máscaras, com acenos de cotovelo e banhos de álcool em gel, será que teremos recuperado esses bens preciosos que a pandemia nos tirou? Será que neste período de três meses, aprendemos as lições que o Senhor nos quis ensinar através desse “deserto” que estamos atravessando? No livro do Deuteronômio (Dt 8,2), o sábio Moisés falou ao povo dizendo: “Lembra-te de todo o caminho por onde Deus te conduziu no deserto, para te provar, para saber o que tinhas no coração, e para ver se observaria ou não os seus mandamentos.” Da mesma forma fazemos nós a mesma pergunta de
Moisés: que tínhamos nós no coração? Fidelidade, obediência, paciência, fortaleza, temor de Deus? Tudo isso ficará evidente. O nosso povo também foi alimentado com o maná da Palavra e das celebrações à distância. Deus fez jorrar “da pedra duríssima”a água da Vida e nos alimentou neste deserto. (cf Dt 8,15-16). Por isso cremos que Terra Prometida, para nós também vai chegar.

*Vamos inicialmente reabrir os trabalhos em nossas secretarias paroquiais, na Cúria Diocesana, e teremos tempo para nos preparar devidamente para que todos, juntos, possamos dar passos mais  seguros ao reiniciar as celebrações presenciais, e até retroceder, se for preciso, sempre tendo como certo que Deus não nos abandona nunca*.

Mesmo com as igrejas fechadas Ele terá sempre o coração aberto para os que são fiéis. Além disso, continuamos convictos de que precisamos antes de tudo proteger vidas. É nas vidas que mora o Senhor e não na economia. É nas vidas e não nos ritos, por mais santos e necessários que sejam.

Continuemos firmes na nossa fé, corajosos na nossa esperança e fiéis na nossa caridade.

Dom João Bosco
Bispo da Diocese de Osasco

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