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Artigos › 05/03/2021

Quaresma: ideias lúdicas para ensinar seus filhos sobre o dom da partilha

“Dar esmola” é uma expressão um tanto ultrapassada e com um tom pejorativo. Preferimos falar sobre partilha de bens e solidariedade. É uma pena porque os termos da partilha e da solidariedade, por mais belos que sejam, abrangem uma realidade muito menor do que aquela que a expressão “dar esmola” significa. Dar esmolas, na verdade, não é um simples ato de filantropia. Não visa apenas erradicar a pobreza material. “Esmola” vem de uma palavra grega que designava primeiro a misericórdia de Deus pelo homem e depois a do homem pelos seus irmãos. Misericórdia, ou seja, ternura e compaixão para com quem é infeliz e pecador. A esmola é a tradução concreta dessa ternura. É uma manifestação do amor de Deus pelos pobres e, ao mesmo tempo, um caminho para Deus: “Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mt 25, 40). Por isso, a esmola é, juntamente com o jejum e a oração, um dos três pilares da vida espiritual e, mais particularmente, da Quaresma, como nos recordou o Evangelho que a Igreja nos ofereceu durante a Missa das Cinzas (Mt 6, 1-18).

Mesmo que a doação da criança seja mínima, o mais importante é o significado

A esmola não é opcional, não é apenas um “plus” que poderíamos trazer à nossa vida espiritual. Não podemos simplesmente nos abster dela, porque ela prolonga e autentica, de certa forma, a oração e o jejum. É um dever absoluto de todo cristão, seja qual for o estado de sua conta bancária e sua própria pobreza. É por isso que é importante ajudar nossos filhos a também viverem esse aspecto da Quaresma, mesmo que não tenham muitos recursos materiais, que não tenham dinheiro para dar. Naturalmente, a caridade obriga-nos a ser eficazes no serviço aos nossos irmãos, a não nos contentarmos com “gambiarras” sob o pretexto de boas intenções. Mas a eficácia não é o único objetivo da esmola, nem seu único sentido.

Mesmo que a doação feita pela criança seja aparentemente pequena, o mais importante é o que essa doação significa para ela. Lembremo-nos do evangelho da viúva pobre: ​​dando apenas alguns centavos, ela deu mais que os ricos: “Em verdade vos digo: esta pobre viúva pôs mais do que os outros. Pois todos aqueles lançaram nas ofertas de Deus o que lhes sobra; esta, porém, deu, da sua indigência, tudo o que lhe restava para o sustento” (Lc 21, 3-4). Então, de que forma, concretamente, as crianças podem viver esta dimensão da sua vida espiritual, como ensiná-las sobre o valor de dar esmolas?

Converta algum esforço em moedas ou invente um cofrinho de esmolas

Durante a Quaresma, certos esforços feitos livremente pela criança, decididos por ela, podem ser convertidos em moedas. Não se trata de rentabilizar tudo, nem de confundir jejum com esmola (o jejum é, fundamentalmente, gratuito: não se jejua para partilhar). É simplesmente uma questão de permitir que a criança que ainda não tem dinheiro veja concretamente o resultado das privações oferecidas a pessoas mais pobres que ela. Exemplos: Paulo parou de colocar açúcar no leite durante a Quaresma, e calculou o preço do açúcar. Catherine come apenas o sanduíche do seu lanche, e decide se abster do chocolate para dar a outra pessoa. Cabe a cada pai descobrir a sugestão mais adaptada para os seus filhos e decidir o “preço” a ser pago (10 centavos pela colher de açúcar, por exemplo).

Se as crianças receberem alguma mesada e principalmente se já forem crescidas, pode-se colocar um cofrinho sobre um móvel onde todos, quando quiserem e de forma anônima, possam depositar seu dinheiro. Se na mesma família existem adultos que têm dinheiro e filhos que não têm, podemos permitir que os mais novos participem desta arrecadação familiar colocando uma caixa com moedas ao lado do cofrinho. Cada um deve que vir e colocar uma moeda no cofrinho quando, em sua consciência, sabe que renunciaram a algo importante. Claro, o risco é que alguns se permitirão facilmente o direito de colocar uma moeda, enquanto outros serão muito exigentes consigo mesmos. Mas é ótimo que eles possam dar de forma discreta, anônima, sem serem notados, sem competir com os outros, sem medo de serem julgados ou de querer se exibir.

Este cofrinho, ou qualquer outro meio semelhante, é uma forma de aprender a viver o que Jesus nos pede: “Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direi­ta. Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, irá recompensar-te.” (Mt 6, 2-4).

Devemos conter a generosidade das crianças?

As crianças às vezes são mais generosas do que os adultos. Pode acontecer que sejamos tentados a refrear a sua generosidade, seja porque não é prudente (no verdadeiro sentido do termo), seja porque nos parece não “razoável”. É bom ensinar a uma criança que nem sempre temos o direito ou a possibilidade de dar tudo, principalmente quando nossa doação envolve outras pessoas que não nós, ou quando vai contra nossas responsabilidades. Uma criança, por exemplo, não deve dar seu casaco sem o consentimento dos pais, que serão obrigados a comprar outro. Mas, além dessa reserva, a medida da esmola deve ser sem medida: “dai, e vos será dado. Será colocada em vosso regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também” (Lc 6,38).

Fonte: Aleteia

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